quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sozinha



sozinha estou
sempre a pensar
a refletir
a duvidar

do que já é
do que vai ser
de um outro dia
 amanhecer

sozinha estou
fico a pensar
o que é estar só
imaginar ?

a duvidar
sozinha estou
imaginando
o que virá

o que vier
o que já está
a solidão
vou recusar

por mais que eu negue
não saber
que estando só
só vou sofrer

por mais que eu tente
não olhar
a solidão
há de voltar

a cada dia
a evitar
a solidão
passo a passar

o que é estar só ?
é a saudade,
a dor no peito,
ou a liberdade. . .

. . . de uma lágrima
a rolar
que o nó no peito
irá desmanchar

sozinha vou
sem mais sonhar
sem refletir
sem duvidar

Lygia Richieri (com 17 anos) 
Vancouver - Washington - U.S.A. 22 de Maio de 1981

Meu lugar



como é vasto este lugar indiferente
tento em versos resumir a minha dor
coração descompassado irreverente
ferve em paz pequeno mundo multicor

penso em fatos
como vago a procurar
outra verdade
em minha mente há de luzir
algo novo
em minha alma hei de encontrar
soluções
que em um só nó vou resumir

por que chego à conclusão que de repente
estar aqui me faz sorrir, me faz chorar
por que sei, meu coração, minha semente
criou raiz em outro chão, outro lugar

vivo livre a febre doce de estar viva
opção que não escolhi, mas aceitei
me fascina estar aqui lutando altiva
repartindo afetos que já conquistei

conto a parte, as horas passam, o tempo voa
esperando amigo, o dia de voltar
agradeço povo irmão essa terra boa
mas . . .
não há mesmo outro melhor que o meu lugar

Lygia Richieri (com 17 anos) 
Vancouver - Washington - U.S.A. 30 de Abril de 1981
Campos do Jordão
Essa foi tipo assim . . . a minha canção do exílio.

A Solidão e o Dom de ser feliz



Solidão,
Porque chegaste tão cedo ?
Não percebes tão longa é a vida,
Minha paz já vai longe esquecida,
Para que causar tanto medo ?

És aquela que quer incansável
Tomar posse de mim dia a dia.
Poupe o tempo, ó castigo implacável.
Já nem sonho mais, quanta agonia

Sei que queres roubar como podes ?
Minha luz, meu sorriso, o que mais ?
Vou murchando, mas qual, não me acodes,
Já não grito, não sou nem capaz.

Solidão
Não me deixo abater.
Abro os olhos e vejo encantada,
Quanta gente ao meu lado a viver,
Quanta luz, quanto amor, antes nada.

O que queres é ter ao teu lado,
Sempre alguém, o teu nome já diz.
Mas há alguém que me espera calado,
É o dom (efêmero) de ser feliz.

Lygia Richieri (com 17 anos) Campos do Jordão,  Dezembro de 1980

Corpos Jovens


 Bailam no ar
são lindos, leves, soltos
são corpos jovens
corpos em movimento
num eterno movimento cadenciado
eterno e lindo

Corpos que transmitem luz, destreza,
pureza, malícia
e não hesitam em se tocar
se amar, se unir
são corpos jovens
quem dera . . .

Mostram sua natureza infantil
corpos em constante evolução, revolução, agitação
cara limpa, sempre erguida, sorriso aberto
corpos esguios e ágeis

Corpos jovens, corpos em movimento
quem dera fosse sempre assim
infinitamente
na mente e no corpo
quem dera . . .

Lygia Richieri (com 15 anos) Campos do Jordão,  19 de Maio de 1979

Divagação adolescente ( III )



Algo de maravilhoso aconteceria conosco se chegássemos a sentir entre nós o verdadeiro sentido do amor e da vida;
sua verdadeira função, seus efeitos em nossa existência tão curta e vazia.
Algo de novo, excitante e feliz chegaria ao nosso eu mais profundo, se conseguíssemos agir e “ser” nosso eu mais profundo.
Nós mesmos.
Algo de expontâneo e natural, algo incrívelmente aceitável ocorreria, se déssemos lugar a alguma humildade.
Voltaríamos a ser considerados “seres humanos”.
Assistir o dia chegar e partir sem fazer nada,
seria algo inaceitável, já que somos todos inaceitáveis . . .
e pouco a pouco o amor deu lugar ao ódio e ao interesse.
Algo de lindo, terno e positivo
satisfaria a todos se todos se assumissem.

Lygia Richieri (com 15 anos) Campos do Jordão, 29 de Maio de 1979

Refrações




Cores escorrem de meu interior . . .
azuis, púrpuras, pratas . . .
transparecendo num brilho exterior
que deságua em límpidas cataratas
de alegrias, vivas de amor.

Em meu peito sinto estas matas
habitadas por fúria, paz, esplendor . . .

Já do lado de fora . . .
esta personalidade multicolorida,
quer correr, voar, luzir,
tal qual imagino voar a vida
de quem só faz amar, gostar, sentir.


Lygia Richieri (com 15 anos) Campos do Jordão,   Fevereiro de 1979