A Grande Página de Dora Lygia

Perdi minha mãe muito cedo, quando tinha apenas sete anos de idade, em 1970. Um câncer a levou. Foi algo que abalou toda a cidade. Assim eu ouvi dizer. Uma mulher jovem, muito jovem, morrer assim com apenas 30 anos deixando o marido viúvo com 5 filhos, sendo o último rescém nascido. Eu era a filha do meio. Me lembro muito pouco disso tudo. E sinceramente, acho que muita coisa seletivamente se apagou da minha memória por auto-preservação. O triste dessa estória, é que também me lembro muito pouco dela antes da sua morte. Quase nada, para falar a verdade. Tenho alguns poucos flashes e só. A vida toda sempre escutei falarem muito bem dela, mas era "muito mais" do que simplesmente "ouvir falar bem de alguém que se foi". Era muito mais do que isso. Eu sentia que ela foi "alguém muito especial".(deixando de lado o fato dela ser a minha mãe) Dora Lygia foi alguém que passou um período muito curto de vida aqui nessa terra por alguma razão.
Em casa, meu pai não falava muito nela. Devia ser muito doloroso para ele. E nós consequentemente não perguntávamos muito. Então ficou essa lacuna na minha vida. E as lacunas tem que ser preenchidas de um jeito ou de outro.
Mãe faz falta. Muita falta. Não importa a idade que se tem.
Faz muito tempo, eu tenho essa idéia na cabeça, e até agora não sabia bem como colocá-la em prática. Acho que agora chegou a hora. E para isso, vou precisar de muita ajuda.
Vou explicar: Quero fazer um resgate de memória de Dora Lygia, pois, além do simples fato de a termos perdido tão cedo e de não termos tido o privilégio de ter convivido mais com ela, (eu e meus quatro irmãos) acho que só a história da Dora, já vale muito a pena ser resgatada. Minha idéia é usar da tecnologia da internet e das redes sociais, para acessar o maior número de pessoas que conviveram com ela (e que tiveram suas vidas impactadas por isso), e coletar o maior número de depoimentos possíveis sobre ela. Com isso, irei compilando esses depoimentos, as lembranças, as fotos, os fatos ocorridos, e se o material for suficiente (o que eu tenho certeza de que vai ser mais do que abundante), quem sabe num futuro próximo, escrever uma biografia ou algo mais além. Sonhar ainda é de graça, não é? Minha campanha agora é iniciar pegando alguns depoimentos de pessoas mais próximas, (meu tio Gui, irmão da Dora Lygia já está pondo alguns no papel) e com eles iniciar a página de "RESGATE DE MEMÓRIA DE DORA LYGIA", ou se preferirem: "A GRANDE PÁGINA DE DORA LYGIA". Peço agora aos amigos que conviveram com ela, que postem tudo que acharem relevante sobre ela (os mais velhos). E aos mais novos, pedirei que se por acaso algum dia, ouviram em casa seus pais ou avós contarem alguma coisa sobre Dora Lygia, que peçam para que eles repitam esses depoimentos para que possam ser repassados e postados adequadamente. Comigo, as experiências tem sido assim: - Estou na minha loja atendendo alguém, que, quando fica sabendo que sou filha da Dora Lygia, imediatamente se emociona, segura na minha mão, e chorando, conta como ela foi maravilhosa. Como ela marcou para sempre a sua vida. Isso não aconteceu uma, nem duas, nem três, nem quatro vezes. Foram muitas. E cada vez que isso acontecia, eu pensava... O quanto e quantas pessoas Dora Lygia infuenciou, marcou? Preciso conhecê-la mais.
Eu, particularmente amo ouvir estórias sobre ela, por que cada uma adiciona mais um pedacinho da foto mental que eu tenho dela na minha cabeça. E essa foto não pode se esmaecer.

Tenho certeza de que vocês irão concordar comigo o quanto isso vai ser bom para todos e tenho certeza de que irão me apoiar e me ajudar. Peço que os depoimentos comecem já e que sejam mandados para mim inicialmente como mensagem particular no facebook, ou como e-mail. Fotos também são bem vindas.
Inicio agora a grande aventura de conhecer a "Mãe que tive, mas que não conheci".
Ah... mais uma coisa. Tenho certeza também que no meio desses depoimentos, resgataremos também a memória do Cezário e dos dois como casal. Por enquanto, valeu pela paciência de ler até o final essa novela mexicana, e espero resposta em breve. Amigos e amigas. Falem com seus pais, tios irmãos, etc, e comecem a coletar os depoimentos. Conto com vocês. Seu material é imprescindível e sua memória tembém.

Beijos Lygia ♥♥

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Começando do começo

"Só as pessoas desenvolvidas do modo mais elevado e feliz têm alegria contagiante, irresistível e benévola."
Fiodor Dostoievski


Dora Lygia

Vai ter uma festa,
que eu vou dançar até o sapato pedir para parar.
Aí eu paro,
tiro o sapato,
e danço o resto da vida...
Chacal



Dora Lygia nasceu em 04 de maio de 1940 na Maternidade São Paulo na capital. Segunda filha de Hermenegildo Cersosimo e Lydia Castagna Cersosimo. Ele, vindo aos seis meses de idade, de navio, oriundo da cidade de Mormano, na Calábria (sul da Itália). E ela (Lydia), filha de italianos vindos da Catania na Sicilia (também no sul da Itália). O primeiro filho do casal foi Guilherme Sérgio Cersosimo, nascido em 1937 (meu tio querido do coração).
Moravam na rua José Maria Lisboa em uma vila na casa número 04. Em 1942 ou 1943, mudaram-se para Campos do Jordão para tratamento da tuberculose que acometia meu avô Gildo (que, como dizia minha avó Lygia, chegou em Campos para morrer e viveu bem até os 90 anos).
Aqui, o Tio Gui me ajudou com as datas e detalhes da época me enviando um email maravilhoso, que era tudo o que eu queria para começar essa grande aventura de reconstituir a vida da Dora Lygia, minha mãe com quem convivi e conheci tão pouco.

>O email foi este:
 Guilherme Sérgio cersosimo em 06/01/2012:Nasci em 1937, numa vila na rua José Maria Lisboa,  próximo ao número 500, na casa número 04 no  Jardim Paulista. Eu nasci em casa. A Dora, nasceu em 1940, e, embora morássemos na mesma casa do meu nascimento, nasceu na MATERNIDADE SÃO PAULO, que fica na rua Frei Caneca. Nossa casa era uma casa geminada, deliciosa. Era também um sobrado. Em baixo, saleta de visita, sala de jantar e copa, cozinha e quintal. Da sala saía uma escada para o andar de cima, onde haviam dois quartos e um banheiro, que tinha um aquecedor à gás de rua. Na vila, haviam cerca de dez casas e um canteiro de jardim bem no meio onde nós brincávamos com as crianças vizinhas. Dessas, só me lembro de um menino que se chamava Hélio cagão, pois uma vez em que foi brincar lá em casa, descendo os degraus, deixava uma marca em cada um. A Dora era muito pequena, mas muitas vezes conversando com ela sobre a Vila de nossa infância, ela se lembrava desse fato. Há uma foto bem antiga onde ela aparece em um jardim, segurando um par de óculos escuros, (que eram da tia Yole). Ela com sua marca registrada que eram cabelos crespos e escuros. Acho que essa foto foi tirada na vila. Acho que vocês tem essa foto. (?)
Nessa época o vovô Gildo já estava em tratamento aí em Campos do Jordão e ficava em um pensionato onde hoje é o ex posto Texaco do Daval. Demorou quase três anos para mudarmos para Campos.

Quando eu estiver mais inspirado e parar de chorar, conto mais coisas dessa época.
É TRISTE TER SAUDADE, MAS É MELHOR DO QUE NÃO TER.
BEIJOS
TIO GUI.

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Dora Lygia começou os seus estudos no Grupo Escolar Jaguaribe e fez o ginasial e a escola de normalistas no Colégio e Escola Normal de Campos do Jordão (CEEN).
> em 7/05/2011 o Tio Gui mandou o seguinte e-mail:
OI TURMA.
MUITA GENTE NÃO SABE O QUE É EXAME DE ADMISSÃO. ERA UM TIPO DE VESTIBULAR PARA INGRESSAR NO GINÁSIO.
A DORA TINHA 11  ANOS QUANDO FEZ. ELA NÃO SABIA ENTÃO, QUE ALGUNS ANOS DEPOIS SERIA A SUPER MÃE DE 5 SUPER FILHOS.
DESTINO ? MISSÃO ? TAMBÉM NIGUEM SABE.
MAS UMA COISA EU SEI. FOI MUITO BONITO TÊ-LA POR PERTO.
AGRADEÇO A ELA POR VOCÊS.
BEIJÃO DO
TIO GUI




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Dora Lygia na Festa da Maçã em 08/03/1953 (com 13 anos)


Essa próxima foto foi tirada em um sete de setembro em 1953 ou 1954, bem em frente a onde hoje fica o já antigo prédio da Telesp/Telefonica. Algumas pessoas que foram identificadas nessa foto por Edmundo Rocha são: Dora Lygia na terceira bicicleta da direita para a esquerda, Dulcy de Almeida Marques,  Maria Helena Seabra Rios, Maria Cecília Murray Rangel Pestana,  Carmem Miranda Lopes da Fonseca, Leila Nejar, Naira Ribeiro, Aracy Carvalho.
Dora Lygia é a 3a na bicicleta da esquerda para a direita

Dora Lygia na escola em 1953, 54, 55 ?...



Essa próxima foto eu sei que foi tirada no Grande Hotel de Campos do Jordão, em dezembro de 1957. Sei também que foi a minha avó Lydia quem costurou esse vestido para a minha mãe. Inteirinho com sianinhas brancas. Que trabalho!

>Aqui fica o depoimento de Delza Ferreira Goulart, querida tia e amiga de Dora Lygia:

Nossa, Liginha ! ! ! Eu ia te falar sobre esse vestido cheio de sianinha!!! Passei algumas horas ao lado da sua mãe vendo ela terminar de pregar as últimas carreiras de sianinhas ... Era exatamente o dia do baile...
Beijos. Delza.



Mulher com magnetismo não é a mais linda, mas a que brilha porque tem luz.


Esta próxima foto logo abaixo é de Dora Lygia em um desfile de modas realizado no Grande Hotel onde a Tecelagem Bangú fornecia os tecidos para a confecção dos vestidos.




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Dora Lygia conheceu meu pai Luiz Cezário Richieri ainda na infância e em 1956 ou 1957 começaram a namorar. 

Eu achei um caderno de poesias da minha mãe em que ela escrevia, (entre outras tantas poesias de autores conhecidos como Ferreira Goullar e Vinícius de Moraes), suas próprias poesias. Porém, ela usava um pseudônimo. (devia ser moda na época, ou então era para a minha avó Lydia não saber que era ela a autora e para quem eram endereçadas as poesias). O pseudônimo de Dora Lygia era "Lilly". E entre tantas poesias suas, essa me chamou a atenção mais do que as outras, pois eu tenho certeza de que foi endereçada ao meu pai (eles aqui não eram casados ainda). E em 1957 Dora Lygia já falava que a vida era demasiadamente curta e que o amor que ela sentia pelo meu pai iria "ao fim da vida... e além da morte".



Eles casaram-se em Dezembro de 1959 e aí sim ela se tornou "Dora Lygia Cersosimo Richieri".


Já em 1960 Nasceu o primeiro dos cinco filhos de Dora Lygia e Cezário:Luiz Guilherme Richieri em 09 de Abril.

Em 13 de Agosto de 1961 nasceu Marília Richieri.
Em 27 de Junho de 1963 nasci eu, Lygia Richieri.
Em 29 de Outubro de 1967 nasceu Beatriz Richieri
E finalmente, em 23 de maio de 1970, nasceu Luiz Roberto Richieri.
1966 No Tênis Clube de Campos do Jordão ou no Clube Abernéssia. 3 Esquimós. De azul: Lica, de Beige: Leme e de vermelho: eu
1967. Eu e a Lica na Praça de Abernéssia. Foto de Jagobo Pan
1969. Dora Lygia com Beia antes de ir trabalhar. Reparem nas saias iguais das duas.


1969.  Dora Lygia e eu em frente de casa antes dela ir trabalhar.

Dora e Cezário em 1964 Com Jair e Vanda Pinheiro e Edmundo e Ana Maria Rocha num evento social da época



Dora Lygia e Cezário foram casados por 10 anos, até que ela não conseguiu vencer a batalha contra um câncer.
Eu sempre me perguntei o que se passava na cabeça dela sabendo a gravidade da doença, as suas consequências e o desfecho que certamente ela teria. Sabendo que deixaria seu amor e seus filhos.
Até que achamos (estavam guardados com a Beia) umas notas que ela deixou dois meses antes de seu falecimento. É de se pensar. Ela estava lúcida da sua situação. Sabia o que viria pela frente.
Não sei se ela escreveu todos os pensamentos num só dia, ou se ia escrevendo aos poucos. Isso pouco importa. O que importa é saber o que ela pensava a respeito da vida e da morte. Ela morreu no dia 29/11/1970.
Aqui vai:














O texto abaixo não está assinado por ela e a caligrafia é do meu pai. Minha avó contou que minha mãe foi ditando as palavras e meu pai foi anotando. Não achamos data, mas pelo fato de ela não poder escrever, isso deve ter acontecido pouco tempo antes de ela morrer. É um texto lindo que fala de Vida e de Amor.





Sentir falta é diferente de sentir saudade. A saudade é a certeza que a pessoa vai voltar. A falta, é o querer ter de volta, mas saber que não vai ter.
Tati Bernardi


Esta foto é muito provavelmente a primeira foto da família reunida, após a morte de minha mãe. A ocasião foi o batizado do Beto, então com 6 meses de idade. Meu pai estava de luto, assim como todas as outras pessoas presentes. 



Estou estudando a doutrina espírita e lendo um livro chamado Uma prova do céu, que tem como autor um médico neurocirurgião chamado Dr. Eben Alexander III, me deparei com um poema maravilhoso que não posso deixar de postar aqui, pois na minha opinião, é o que minha mãe escreveria para o meu pai como seu recado final. Estou certa disso. O autor desse poema é David M. Romano, mas as suas palavras são de Dora Lygia para Cezário antes da sua morte.
Aqui vai:
Quando o amanhã começar sem mim,

E eu não estiver lá para ver,

Se o sol nascer e encontrar seus olhos

Cheios de lágrimas por mim,

Eu gostaria que você não chorasse

Da maneira que chorou hoje,

Enquanto pensava nas muitas coisas

Que deixamos de dizer.

Sei quanto você me ama,

E quanto amo você,

E cada vez que você pensa em mim,

Sei que sente a minha falta.

Mas quando o amanhã começar sem mim,

Por favor, tente entender

Que um anjo veio e chamou meu nome,

Tomou-me pela mão

E disse que meu lugar estava pronto

Nas moradas celestiais

E que eu tinha que deixar para trás

Todos os que eu tanto amava.

Mas quando me virei para ir embora

Uma lágrima escorreu-me pela face

Por toda a vida eu pensei

Que não queria morrer.

Eu tinha tanto para viver,

Tanta coisa por fazer,

E pareceu quase impossível

Que eu estivesse indo sem você.



Pensei em nossos dias passados,

Nos dias bons e nos dias ruins,

Em todo o amor que vivemos,

Em toda alegria que tivemos.

Se eu pudesse reviver o ontem,

Ainda que só por um instante,

Eu diria adeus e lhe daria um beijo

E talvez visse você sorrir.

Só então descobri

Que isso não aconteceria,

Pois o vazio e as lembranças

Ocupariam o meu lugar.

Quando pensei nas coisas deste mundo

Vi que não posso voltar amanhã,

Então pensei em você

E meu coração se encheu de dor.

Mas quando cruzei os portões do céu

Eu me senti em casa

Quando Deus olhou para mim e sorriu

De seu grande trono dourado,

Ele disse: “Isto é a eternidade

E tudo o que lhe prometi.

Agora sua vida na Terra é passado

Mas aqui uma vida nova começa.

Eu prometo que não haverá amanhã,

Mas que o hoje durará para sempre.

E como todos os dias serão iguais,

Não haverá saudades do passado.

Você foi tão fiel

Tão confiável e verdadeira,

Embora tivesse feito coisas

Que sabia que não deveria.

Mas você foi perdoada

E agora finalmente está livre.

Então que tal me dar a mão

E compartilhar da minha vida?”

Logo, quando o amanhã começar sem mim,

Não pense que estamos separados,

Pois todas as vezes que pensar em mim,

Eu estarei dentro do coração.


David M. Romano


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Até agora, tudo isso postado aqui, foram somente dados técnicos para situarmos Dora Lygia na escala de tempo/espaço percorridos e preenchidos por ela em sua curta estada aqui na terra.
Daqui em diante, começa a grande aventura de tentar descrever e reconstituir quem foi "a grande mulher Dora Lygia".
Estou recolhendo depoimentos de pessoas que conviveram com ela.
Lamento não ter tido esse insight antes da morte do meu pai, pois ninguém melhor do que ele para contar estórias passadas entre os dois. Porém, não me dou por vencida e vou seguindo recolhendo esses depoimentos de amigos, ex-alunos, e de outros mebros da família.
De uma coisa eu sei, por ouvir inúmeras vezes falarem sobre Dora Lygia:
Ela era maior do que a própria vida. Era uma pessoa iluminada que por onde passava deixava sua aura de deslumbramento e encantamento nas pessoas.
Ela viveu intensamente seus 30 anos de vida como se de alguma forma já soubesse de antemão que partiria cedo.
Minha avó Lydia, mãe de Dora Lygia, nunca, eu repito, NUNCA se recuperou após a morte de sua filha. Ela seguiu sua vida por nós netos e com uma força sobre-humana. Achei pertinente postar aqui um trecho de uma reportagem que li em uma revista.

"Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz dafome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? A dor da perda de um ente querido? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa. Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por perdas de entes queridos (mães que perderam um filho) e por amor."
desconheço o autor


Que comecem os depoimentos.

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>Esta mensagem, (a amiga e ex aluna da Dora Lygia), Martha Maria Grabner Raimundo me mandou em 18 de Abril de 2011, quando iniciei a idéia do resgate de memória da Dora.


Oi Liginha,
Não imagina como me emocionei quando você falou que estava com planos de resgatar a memória de sua mãe. Só não escrevi antes, porque tive problemas em meu computador e fiquei fora do ar um tempo.
Ela era como um ídolo para mim e se quiser mais depoimentos sobre ela, tenho várias amigas de Campos e da época em que a Dora nos dava aulas de matemática, que são minhas contato no FB e que foram alunas dela e também moravam perto da casa onde vocês moravam. Algumas datas terei que checar para ver se estão corretas. Fotografias dela, infelizmente só tenho a que sua avó distribuiu na igreja em sua missa de 7º dia, a que vem com um santinho.

Aqui vai.
Dora Lígia.

Ela era a pessoa que eu mais admirava e por uma razão muito simples, além de muito amiga de todos os alunos, ela era uma mulher extravagante, moderna elegante e muito bonita. Todos os dias ela chegava na escola, com seus livros e pastas cadernetas nos braço e sempre muito bem vestida, com os modelos que usavam nos anos 60 para 70, eu diria que na última moda sempre e também muito bem maquiada, com rímel e delineador contornando os olhos, o que a deixava com os olhos maiores do que já eram, lindos !! O batom usado na época se não me engano os rosas fortes ou vermelhos. As unhas sempre pintadas com branco ou outra cor da moda eram enormes e bem feitas sempre. Ela era um exagero de mulher. Lindíssima !!
Ah a professora Dora era meu ponto de referência, meu exemplo de mulher moderna de muito bom gosto e sempre conversava um pouquinho com a gente, íamos encontrá-la nos corredores do Ginásio.
Nunca fui uma aluna exemplar, sua avó que o diga...ufa...tadinha, nessa época ela era inspetora de alunos e sempre estava atrás de mim , por conta de que eu sempre estava aprontando, ou matando aulas.
Sua mãe não, de certa forma me entendia e gostava de mim, elogiava minhas maquiagens e claro quando precisava me dava umas bronquinhas também, mas era uma pessoa amiga e amiga dos alunos.
Lembro-me que no começo dos anos 70, Campos do Jordão foi convidada à participar do programa Cidade contra Cidade do apresentador Silvio Santos. Nessa época nossa cidade não tinha mais do que 18.000 habitantes, era uma muito pacata, onde toda sociedade tinha uma convivência estreita e o Colégio era o centro das atenções, tudo girava mais ou menos em torno dele. Bem voltando ao tal programa, a cidade toda ficou alvoraçada com esse evento e foram formados vários grupos de atividades, para competir no programa, com a cidade vizinha e nossa concorrente era Caçapava. Muitos colegas e amigos já tinham sido escolhidos para irem ao programa, onde eram apresentados vários quadros, foi uma animação geral. Uma bela noite, um carro para em frente a minha casa. Era minha professora Dora Lygia, que queria saber se eu tinha sido escolhida para o programa.
Eu? Imagina, nem em sonho, eu lhe disse. Ela então me levou para a sua casa. Ela queria me maquiar e saber se o resultado ficaria bom para eu aparecer no programa também... aí, eu fui escolhida também, nossa que emoção. Pelo programa e por ela ter ido na minha casa para me convidar. Ela estava envolvida com a programação e a formação dos quadros que iam levar para o desafio. Olha, foi uma noite inesquecível para a cidade. Não vencemos, mas empatamos com Caçapava, mas para a gente foi como se tivéssemos vencido, fomos recebidos com festa e fogos como os vitoriosos da noite.

Sua morte foi uma comoção na cidade, foi um choque para mim e para todos os seus alunos. Inacreditável.
(estarei a disposição)
Beijinhos
Martha

>Minha resposta:
A D O R E I ! Era isso mesmo que eu queria. Depoimentos espontâneos sobre ela, contando fatos e acontecimentos daquela época que mostrassem características de sua personalidade. Se tiver mais inspiração, pode mandar mais. e gostaria dos depoimentos de todas aquelas amigas que você mencionou. Muito bom. Mil vezes obrigada.
Beijos
Lygia

>Em 05 de Novembro de 2011, a amiga (e também ex-aluna de Dora Lygia) Leila Fonseca, me mandou esse depoimento:

Oi Lyginha,
Demorei mas finalmente escrevi um pedaço das minhas lembranças com a minha querida professora Dora:
,
Desculpa se te chamo de Lyginha, o Leme de Leme e a Lica de Lica. Mas aprendi a chamá-los assim com a Dora, minha professora querida. Me ensinou matemática, me ensinou a fazer tricot, me ensinou a bordar ponto de cruz, me ensinou a gostar da vida, me ensinou a me maquiar, me levou a bailes, quando meus pais não queriam me acompanhar e nem permitiam que eu fosse sozinha . E principalmente me ensinou que quando a morte não obedece a ordem natural e leva de supetão uma pessoa boa, generosa, cheia de vida, de sonhos, 5 filhos; é injusto e pronto. Não há consolo.
Eu morava na casa em que a Iracema mora hoje, ao lado morava a Regina (filha da tia Anita e irmã da Stela que ainda não era casada com o Franklin) e ao lado da Regina morava a Tatinha, (Maria Martha, cantora) filha da tia Mariinha que era professora de música e organizadora de todas as festas da escola. Na rua de cima morava e Oriette, e perto de onde é ou era a academia da Béia, morava a Margareth,. Fora a Martha Grabner, a Iracema, a Izabel Maria, irmã da Tatinha, enfim, éramos uma verdadeira tropa de garotas que trançava de uma casa para a outra, quando vocês se mudaram para a casa nova. A janela do quarto da sua mãe, dava de cara com as nossas casas e assim, volta e meia , quando ela via muito movimento por ali, vinha para janela para saber o que estava acontecendo. O terreno ao lado da casa do Dr. Samuel não tinha nenhuma construção e assim a gente conversava, ela chamando de lá e a gente respondendo daqui.
Teve uma véspera de feriado que nós saímos da escola e eu de uniforme fui para a casa da Oriette e acabei dormindo lá. No dia seguinte, acordei e fui embora para casa de uniforme, claro, que era a roupa que eu tinha. Quando eu estava abrindo o portão da minha casa a Dora abriu a janela às gargalhadas perguntado se eu tinha me esquecido que era feriado. Eu dei minha explicação. Mas pouco ou nada adiantou. Ela contou pra todo mundo a versão dela e quase morria de rir cada vez que contava a estória. Paguei o mico com o maior prazer. A gargalhada dela era deliciosa.
Teve uma vez, a Dora grávida de você, e alguém (dizem as más línguas que foi o Pedrinho Alem, mas ele nega) colocou uma bomba de festa junina imensa dentro do banheiro dos meninos . Acho que tinha pavio e tudo porque mal a aula de matemática com a Dora começou, teve uma explosão tão grande que tremeu o prédio. A Margareth que era a mais medrosa, saiu correndo e pulou no colo da sua mae que estava com uma barriga imensa . Você devia estar pertinho de nascer. A Dora (como sempre de salto) se desequilibrou e por sorte ou reflexo acabou conseguindo apoiar ela mesma, você e a Margareth sobre a mesa. A Dora com toda categoria, acalmou a classe, a Margareth, e depois de um tempo demos boas risadas do espetáculo...
A Tatinha tocava e cantava muito bem e eu cantava direitinho, então fazíamos uma dupla ótima. Toda vez que sua mãe nos encontrava com um violão por perto pedia para cantarmos essa musica, da Dalva de Oliveira:
Ai, ioiô
Eu nasci pra sofrer
Foi olhar pra você
Meus zoinho fechou
E quando os óio eu abri
Quis gritar, quis fugir
Mas você
Eu não sei porque
Você me chamou

Ai, ioiô
Tenha pena de mim
Meu senhor do Bonfim
Pode inté se zangar
E se ele um dia souber
Que você é que é
O ioiô de iaiá

Chorei toda noite, pensei
Nos beijo de amor que te dei
Ioiô, meu benzinho do meu coração
Me leva pra casa, me deixa mais não
Chorei toda noite, pensei
Nos beijo de amor que te dei
Ioiô, meu benzinho do meu coração
Me leva pra casa, me deixa mais não...

A ‘ultima lembrança que tenho da Dora, foi um dia no cabeleireiro, algum tempo antes de Oriette e eu nos mudarmos para São Paulo para fazermos um cursinho para vestibular em 70. Ela estava fazendo as unhas, pintando como sempre de branco. Eu achava lindo. Sabe que nunca consegui pintar as unhas de branco? Essa era a cor dela. Peguei a mão da Dora e se não me engano contei 33 argolas de ouro que ela carregava no braço. Só sei que era uma por ano de vida. Presente certo do seu querido Cesário a cada aniversário.
Acho que era novembro ou dezembro de 70. Oriette e eu fazíamos um cursinho intensivo para o Vestibular. A comunicação era bem maios difícil mas finalmente tínhamos tido notícias de que a Dora tinha sido removida para São Paulo e íamos aquela tarde tentar visitá-la no hospital. Nisso, chega a Isa Nakano, nossa colega e que era nossa manicure chorando com triste notícia que a Dora tinha falecido. Não deu tempo.
Beijos
Leila


>Em 08 de Novembro de 2011:
Hoje a Stela (do Dr. Franklin) esteve na minha loja e comentando sobre os depoimentos, ela se lembrou de uma vez, quando da passagem de um cometa (que ela acha ser o Halley), a mamãe e o papai, bateram na porta da casa deles de madrugada para assistir a passagem do tal cometa. Eles viram do deck da casa deles (Franklin/Stela). Animados eles, hein?
Lygia

> Nesse mesmo dia a Martha me respondeu:

Não era o Halley, Liginha, esse deu um cano homérico em meio mundo, passou muito longe da Terra, mas o tal cometa que seus pais foram ver do deck da Stella foi outro e eu vi também. Me lembro bem que estava de segunda época, tinha tomado pau em uma matéria e estava esperando a bronca ... mas foi pelo cometa que nos acordaram....Ah seus pais eram sim super animados, não perdiam um baile e dançavam muito !! beijos !!

>Depoimento do meu irmão, Leme:
Era o cometa de "Bennet"... Ela (Dora) ficou dois dias vendo o tal cometa da janela do quarto, quando perceberam que era o reflexo da luz da rua na antena de TV da vizinha da rua de baixo...
O cometa mesmo apareceu poucos dias depois, aí foi real mesmo!

>Em 18/01/2011 a amiga e ex-aluna de Dora Lygia, Odiméia Marta me mandou esse e-mail:
 
Achei fantástica a ideia de resgatar a memória de sua mãe, posso avaliar o seu enorme desejo.....
Era uma professora maravilhosa....daí o meu gosto pela matéria. Uma mulher absurdamente linda.
Se vestia com um enorme bom gosto, sempre maquiada, muito elegante!!!! Eu gostava de ficar esperando um pouquinho na esquina pra ver se conseguia subir com ela e sempre observava suas roupas na última moda... Era lindo vê-la com vocês.....uma mãe muito carinhosa.

Eu tinha 12 anos quando ela faleceu....sofri muito... não tinha ainda perdido alguém que eu gostasse tanto... Não me conformava que minha querida professora tinha morrido....Durante muitos dias fui ao cemitério rezar pra ela com o caderno de matématica embaixo do braço...
Sua mãe deixou ótimas lembranças e eternas saudades... Uma pessoa iluminada e amada por todos.
Sempre me emociono quando falo ou lembro dela.... Um exemplo de mulher!!! Ela está na minha memória, por toda vida. Nunca falei pra você e nem pra Lica o que sinto quando encontro com vocês, mas parece que a tenho por perto.....sinto um pouco dela em vocês ...
Um forte abraço.
 
Odiméia Marta


>Em 20/01/2012 a amiga e ex-aluna da Dora Lygia, Raide Mastrandrea me mandou um depoimento lindo que diz o seguinte:
Oi Lygia, adorei seu blog e chorei de saudade da minha querida professora.
Todos os alunos daquela época gostavam demais dela como professora e a admiravam muito como mulher.
Nossa primeira aula de matemática começava as 7:00 horas da manhã e enquanto chegávamos arrumando o uniforme, saia, meia, prendendo o cabelo na entrada do colégio, todos ainda com cara de sono, ela chegava impecável, maquiada, linda como todos os dias! Ficávamos pensando a que horas ela levantava pra conseguir chegar elegante daquele jeito àquela hora da manhã! Eu anotava no caderno todos os dias a roupa que ela estava, para aprender a combinar as peças com o sapato, bolsa, brinco etc. Era maravilhoso ver se o conjunto era vermelho, o sapato e a bolsa também eram vermelhos e assim acontecia todos os dias, roupa azul, sapato e bolsa da mesma cor e eu anotava tudo para um dia quem sabe eu iria me vestir igual a ela. A maquiagem era linda, mas ela nem precisava de maquiagem, era naturalmente maravilhosa. Uma vez fui com ela para uma olimpíada de matemática em Taubaté, a estrada ainda era de terra. Passei mal e ela parou o carro, um fusquinha vermelho, descemos do carro e um bicho picou a perna dela e desfiou a meia fina! Menina, você não imagina como ela ficou brava com o pobre do bichinho, fiquei até com medo, mas continuamos e deu tudo certo. Uma vez fizemos uma peça de teatro para homenagear os professores e alguns alunos representaram os professores e eu representei a nossa professora Dora e me lembro dela rindo muito de mim, quando apareci tentando imitá-la com sapatos de salto. É uma pena não termos fotos desta época. Pode ter certeza que as meninas a admiravam muito e os meninos, me lembro muito bem, ficavam suspirando pelos cantos quando ela chegava! Que saudades da minha querida professora!
Beijos.

 Raide

> Em 23/01/2012 o primo Roberto Cagno (de SP) me mandou seu depoimento emocoinado, falando da sua convivência com minha mãe.

Primos.
Fiquei pensando muito!!!  Como retratrar  ou descrever o que minha querida prima (irmã mais velha) Dora, como eu simplesmente a chamava, representou muito em minha vida e de tantas outras pessoas?Não  haverão  palavras suficientes para descrever uma pessoa incrível,  fabulosa,  bonita,  charmosa,  bondosa, alegre e cheia de vida. Leme, Lica, Lygia, Beia e Beto, meu convivio com sua mãe  em minha primeira lembrança de criança (com 5 anos), foram sempre as melhores possíveis, (mais ou menos 1955).Lembranças da casa de Jaguaribe onde nas férias convivemos por muitos anos, inúmeras  situações  de alegria (naqueles tempos só existia alegria).  Estórias, tenho muito para contar, já que desde pequeno e até a idade adulta, convivi todas as minhas férias junto com sua  mãe  e Cezário, e naturalmente seus avós, (sem falar do meu querido padrinho Gui).Meu relato será muito extenso e não queria tornar a leitura desse enfadonha. Lembro-me ainda pequeno que arcodávamos (na casa do Jaguaribe)  e logo íamos para cama da sua mãe que se dispunha a fazer desenhos e contar estórias para nos distrair até ficar pronto o café da Vó Lydia, (tia Lidia para mim). E que café! Com direito a pão com manteiga na chapa feito no fogão a lenha. O dia começava assim, logo íamos nos vestir e descíamos para o quintal, onde bricávamos muito e de vez em quando, saíamos por longas caminhadas com as filhas do Sr. Neme e Joana Najar.O tempo foi passando, sua mãe se casou e eles foram morar no Fracalanza (só existia  a casa  deles e a fazenda de maçã da familia Fracalanza).Eu cresci, e me tornei adolescente (mais ou menos 12 anos) e sua mãe me disse que dali por diante, minhas férias seriam sempre passadas com ela e seu pai e não mais na casa de seus avós. E assim sucedeu. Eu passava manhãs e tardes em companhia de sua mãe. Chegava a hora do almoço e lá vinha seu pai com um fusquinha 53 (cor azul), para assim desfrutar da comida que sua mãe  fazia. Seu pai me ensinou a tocar violão (as aulas eram sempre após o almoço). O violão  era lindo!A tarde, sua mãe  fazia tricô e eu ficava acompahando o desenvolver das malhas que tão  rápido ficavam prontas (como eram lindas!).Já ia me esquecendo. Sua mãe me ensinou a fumar (eu não sabia tragar). Naquela  época era o máximo fumar!Em uma noite de frio (seu pai trabalhou até tarde),  começamos a falar de comida e sua mãe  lembrou que em uma das passagens por São Paulo ela esteve no restaurante “Gigetto” (que existe até hoje). No mesmo momento em que falávamos do restaurante e suas comidas italianas, sua mãe com a disposição que era sua característica, se pôs na cozinha e começou a fazer um macarrão estilo Gigetto (que delicia, que aroma; isto está gravado em minha memória). Já se passava das 11 da noite. Seu pai chegou e se assustou ao ver ainda que estávamos acordados. Comemos aquela delícia e  fomos dormir.Voces nasceram lá no Fracalanza. Todos menos o  Beto. Eu ajudei muito a pajear vocês e vi o crescimento de todos.  Lembro também dos aniversários que sua mãe fazia com tanto esmero.Sua  mãe em época de carnaval era super animada. Sempre queria ir ao Capivari  para ver o movimento  da cidade. Lembro também de um baile de carnaval que fomos no  Grande Hotel e outro no Tênis Clube. Sua mãe  sempre animadíssima. Ela gostava de receber as pessoas, amigos, parentes sempre com alegria, sorriso e gargalhadas gostosas. Tudo era festa. Em outra  ocasião meu pai foi a Campos visitar seus avós. Ela então recebeu a todos com um  almoço delicioso, com a famosa “sopa de cebola” do Ceasa  que era moda na época (mais ou menos 1962/1963).Seus pais  então se mudaram para nova casa (que casa linda!).Ela  sempre foi entusiasta  da construção da estrada  nova que liga Campos a Taubaté. Ela defendia  a idéia  que com a  construção nova estrada para Campos, poderia facilitar o acesso fácil para os turistas e para  também os moradores da cidade, (deixando para trás as curvas da serra da estrada velha). Lembro-me também, quando sua mãe saía para lecionar no ginásio, estava sempre bem vestida, elegante e bonita.Sua mãe sempre foi dedicada a vocês. Pacienciosa e educadora.  Voces são o retrato  do casal Dora e Cezário.Enfim, existem muito mais lembranças a serem relatadas. O tempo foi muito curto em que ela viveu, mas  viveu  tão intensamente  que apesar dela nos ter  deixado com  a juventude de seus 30 anos, na verdade ela representou  muitos anos em nossas vidas.Ligia, como você mesmo relatou a doença a levou de nosso convívio, mas sempre existirá aquela que foi  e sempre será a insubstituível Dora.
Beijos a todos de seu primo
 Roberto Cagno


> Em 06/02/2012, Eunice Sarmento, (ex aluna de Dora Lygia) deixou esse depoimento na sessão depoimentos desse mesmo blog, o qual eu transcrevi para cá.
Oi, Lygia
Fiquei muito emocionada quando entrei em seu blog e vi aquela maravilha sobre sua mãe, a minha professora querida.
Falar de Dora Lygia para mim é algo muito tocante. Em 1969 conclui a quarta série (hoje oitava serie) e ela era minha professora. Alguns colegas da epoca: Marco Arakaki, Mauro Arakaki, Valéria Grabner Raimundo, Alfredo Reis, Otávio Pina, Cristina Ballion, Terezinha Miranda e outros... Quando me lembro dela, acho que posso compará-la a uma rosa que nasce, floresce, perfuma o ambiente e, num espaço tão curto de vida, nos alegra e deixa muitas lembranças!! Mulher elegante, bonita, alegre, moderna, audaciosa, gostava de desafios. Imagine, naquela época uma mulher fumar, usar maquiagem forte, botas, roupas coloridas e ela o fazia. Era Linda!! Posso dizer que ela cativava os alunos com esse seu "jeito audacioso de ser" e eu, muito tímida, me lembro dela na sala de aula com um violão, dedilhando a música "Nossa Canção" do Roberto Carlos e, sabendo que eu era fã incondicional do rei me chama à frente para cantar com ela. Foi muito bom!!
Sabe, Lygia, outra coisa que me lembro é dela sentada na varanda de sua casa, uma placa na parede escrita "Recanto dos Sonhos" e ela assistindo ao ensaio dos alunos do colégio para o desfile, não lembro se 7 de setembro ou dia da Cidade. Eu e mais algumas colegas chegamos para conversar com ela. Lembro-me de sua voz nos dizendo: 'meninas, vocês estão maravilhosas. Olha, vou lhes dar um conselho: não estragem a saúde de vocês que é a coisa mais importante que temos. Boa sorte no desfile, vocês vão brilhar, tenho certeza".
Vou encerrar minha colaboração com esse trabalho lindo que você esta fazendo, desejando a você e seus irmãos boa sorte.
Beijos, Eunice Sarmento

> Em 08/02/2012, a ex aluna Solande De Sicco me mandou um e-mail que transcrevo na integra para o blog agora:
  
Olá Lygia...
Após ler a história de sua mãe consegui entender o por que dessa lembrança me acompanhar por tantos anos, apesar do pouco contato e da pouca idade que tinha na época. Realmente ela era uma pessoa á frente de seu tempo, e aquilo me fascinou, uma mulher que apesar de viver em um tempo que as mulheres eram apenas esposas e mães, ela conseguia ser esposa e mãe e tudo mais sendo admirada por todos que a conheciam.
                As minhas primeiras lembranças de sua mãe se deram dentro de minha casa, onde meu pai e minha os conheciam por conta da Maçonaria...e as vezes a citavam pela beleza e jeito de ser...
                Em 1970, com 10 anos comecei a estudar no Ginásio, o que seria a 5ª série, não precisei de admissão e sai do Educandário Santo Antonio, para o CENE, como se fosse viver a maior experiência de minha vida. E eu a mais velha e tudo era muito novo e fascinante...e aí conheci a Profª Dora Lygia, que estava grávida de seu irmão Beto, ela era linda, parecia que tinha saído da TV ou das revistas da época. Eu fiquei entorpecida...não lembro de outra professora me chamar a atenção daquela forma. Eu sei que cheguei em casa, coloquei uma roupa e sapatos de minha mãe, passei um baton vermelho, sapato de salto de minha mãe, e acredite fiz uma barriga de almofadas...assim com minhas bonecas eu brincava de ser a Dora Lygia, escondida de todos, em meu mundo de faz de conta. Devo dizer que era infantil...mas com 10 anos a fantasia ainda participa muito ativamente de nossas vidas.
                Matematica nunca foi minha matéria favorita, mas aguardava ansiosamente para ver a professora e sonhar que um dia poderia ser como ela...sempre fui muito sonhadora, e constantemente ela com muita delicadeza me puxava para o mundo real.
                Foram poucas aulas que tive com ela...pois logo ela saiu para ter nenê, me lembro de alguém falando mas pra que começar as aulas e ter que parar...mas desconfio que ela não queria perder um minuto de sua breve vida.
                Após o nascimento de seu irmão eu e uma amiga fomos visitá-la em sua casa, ela já se encontrava doente...e nos recebeu em seu quarto...tenho até hoje a lembrança do boquê de camélias que minha mãe fez com as flores da casa de D. Alice Araújo, nos cedeu, sabendo para quem era o presente.
                Eu e minha amiga morávamos na Vila Ferraz...e até chegarmos em sua casa não podíamos conter a ansiedade...estavámos tão felizes...
                Sua mãe nos recebeu de forma adorável...como se fossemos velhas alunas, penso que ela amava todos seus alunos e dar aula devia ser muito bom pra ela....nós éramos alunas recentes...nem havia dado tempo de criarmos vínculos, mas ela nos tratou como se nós fossemos a visita mais importante que ela recebia, pediu a sua vó que nos trouxéssemos o bebê para conhecermos...e a sua irmãzinha Béia ficou ali também...lembro exatamente de tudo e até consigo sentir o cheiro do momento....Me lembro de um pequeno álbum de fotos com vocês lambuzados  de chocolate....acredito que essas fotos existam...
                Cheguei a visitá-la por mais uma vez...e novamente foi muito bom...ela falou que com certeza éramos boas alunas e nos sairíamos muito bem em matemática....
                Pode parecer incrível...mas eu tinha vontade de visitá-la todos os dias, e só não fazia isso por que meus pais não deixavam....
                Minha mãe foi visitá-la em casa e meu pai por duas vezes foi visitá-la em SP...e chegava contando com muita tristeza sobre seu estado e de seu pai...
                Eu ficava triste...e rezava muito para que ela voltasse a me dar aula...em casa ninguém compreendia meu sentimento...e para ser sincera...eu mesma nunca soube o por que disso até ler seu Blog...
                Eu me recordo a cerimônia do funeral...o com chorei com toque de silêncio....nunca havia vivido nenhuma morte...e como você mesmo disse...acho que toda a comoção da cidade acabou por mexer com o meu emocional....
                Chorei na missa de 7º dia e ficou gravado em minha mente toda aquela cena...
                Sai de Campos do Jordão em 1978...e já era professora...
                A história de sua mãe me acompanha por todos esses anos...minha vida mudou muito...mas o modelo que ela deixou me acompanha até hoje...continuo admirando mulheres modernas, independentes, mas doces e amorosas....
                Li seu Blog por acaso...mas como não acredito em acaso...ele com certeza me respondeu muita coisa...
                Sua vó sempre foi muito doce comigo, e enquanto morava aí sempre conversava com ela...
                Nunca tive contato com ninguém de sua família...erámos de mundos diferentes...mas sempre acompanhei a história de todos vocês...coisa estranha...mas acho que de certa forma eu enxergava a continuidade daquela que foi um exemplo pra mim....
                Parabéns pela sua iniciativa...é realmente uma linda forma de demonstrar um amor tão precocemente interrompido.
                Desejo que você reúna muito material e que continue com o propósito de escrever um livro...que com certeza irá fazer parte de minha estante...
                Talvez você estranhe por toda essa história, pois ela não fala muita coisa sobre sua mãe...mas não pude me conter e colocar um sentimento que está comigo há tantos anos...
                E acredite que ninguém  passa tão rápido por nossas vidas e deixa uma marca tão forte se não for alguém muito especial...e com certeza a Professora Dora Lygia era uma pessoa iluminada...
                Um grande abraço
             
Solange De Sicco

 > Em 23/02/2012, José Roberto Marques, (o Betão, filho de Dulcy, uma das melhores e amigas de Dora Lygia) deixou esse depoimento no facebook, o qual eu transcrevi para cá.

Lygia, não dá pra não chorar, é muito emocionante, saber que, de algum modo, participei desta história. A tia Dora, prá mim era a mulher mais legal e mais bonita do mundo. Sabe, quando minha mãe falava em ir ver a tia Dora, ou então que ela viria nos visitar, parecia que ia ter uma festa, tudo era meio mágico, muito alegre. Ela era muito legal e alegre. Sabia agradar todos, era delicada, linda; um ser superior. "Tudo de bom" é muito pouco. É impossível descrever. Na minha vida, a tia Dora...acho que foi uma fada que deus nos deu....

 > Em 16/04/2012, recebi o depoimento da querida amiga íntima de infância e adolescência de Dora Lygia, madrinha da Lica, Tia Dulcy de Almeida Marques.Ela demorou bastante para escrever, mas finalmente recebi o email dela hoje.
 1956. Dora com 16 anos e Dulcy com 15.
Tratamento "carinhoso", típico de grande intimidade entre as amigas adolescentes.

Lygia, é isso aí, tem mesmo que fazer a biografia dela, afinal Dora já é até nome de escola!
De minha parte envio-lhe o presente texto. Foi o máximo que consegui... Não tenho condições psicológicas de fazer algo mais organizado. O sofrimento emocional é incontável. Mal pude reler...  Dulcy
Aqui vai:
-Tive o privilégio de ser amiga da Dora desde os 9 ou 10 anos de idade. Foi nesta ocasião que devido a tuberculose de meu pai mudei-me com minha família para Campos do Jordão seguindo o mesmo paradeiro de centenas de outras famílias, naquele período. Até hoje, Dora (que foi embora tão cedo) me faz muita falta! Já há algum tempo que venho me preparando para escrever este texto... nem sei por onde começar. É tanta emoção!
Ficamos amigas desde o primeiro encontro no Grupo Jaguaribe. A diretora dona Meire nos elegiava. Artistas? Das festas de final de ano, éramos as mais desinibidas. Na adolescência nossa amizade mudou de foco, nos tornamos íntimas, confidentes. Nossas personalidades se completavam, como irmãs... Muitas pessoas nos considerarem irmãs de verdade. Dora era muito sensível, regida pelas emoções e eu, era mais racional. Assim nossas trocas eram bastante produtivas. Tudo na Dora era vibrante e superlativo: Ela ria muito, amava muito. Tudo muito. Comovia-se com o belo, por exemplo o entardecer em Campos do Jordão. O por do sol no horizonte deixando o céu tingido de rosa, laranja quase rubro, a encantava! Seu espírito avançado, à frente de seu tempo, possibilitou que ela tivesse amigos pobres, ricos, pretos, brancos! Era uma pessoa totalmente sem preconceitos. Foi excelente aluna em português, matemática e desenho (tanto que se tornou professora de matemática); além de cantar e dançar. Numa festa do colégio, cantou muito bem a música João Valentão de Dorival Caymi. Nos anos 60, assistíamos pela televisão os festivais de música da TV Record tentando desvendar as metáforas trazidas nas letras das canções de Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso entre outros. Imagine quão provinciana era Campos do Jordão entre as décadas 50-60 do século XX! Foi o fascínio pela leitura o responsável para que rompêssemos o pacto com a mediocridade. Livros e mais livros, como por exemplo: Bom dia tristeza, de Francoise Sagan; O crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz , o qual lemos só de raiva. Havia uma professora, a mais carola, que disse em sala de aula que quem lesse essa obra seria excomungada pela Santa Madre Igreja. Isto atiçou nossa curiosidade e rebeldia e Dr Silvestre Ribeiro nos emprestou o tal livro. Mais tarde lemos Sidarta, de Hermann Hesse; A idade da razão, de Jean Paul Satre, além de Jorge Amado, Simone de Beovouir, Aldous Huxley. Era muito difícil o acesso a livros em Campos do Jordão naquele período. Tínhamos que batalhar. Mas valeu a pena!
Havia uma obra, chamada Peyton Place, que virou até seriado de TV (A caldeira do diabo) que descrevia um lugar onde a hipocrisia e a intriga 
imperavam, ou seja retratava o moral daqueles tempos. Após esta leitura só chamávamos Campos do Jordão de "Peyton Place" brasileira. Líamos, grifávamos, comentávamos, num intercâmbio intelectual muito rico. Entre 15 e 25 anos líamos pelo menos um livro por mês. Mesmo adultas o hábito da leitura e discussão sobre livros foi preservado e lembro-me que um dos últimos que sua mãe leu foi Cleo e Daniel do psicanalista Roberto Freire. Inegáveis a beleza exterior e a elegância de Dora, já registrada em outros depoimentos. Dora andava sempre na última moda e perfumada cheirando a Fleur de Rocaille, perfume francês da Maison Caron. Contudo, o mais encantador era seu caráter. Generosa e sempre disposta a ouvir a todos com absoluta atenção e simpatia. Graças a sua sensibilidade e facilidade de comunicação seus conselhos sempre foram os mais sensatos. O grande senso de humor foi outro traço característico da Dora. Ou seja Lygia, sua mãe foi realmente uma pessoa de muitos talentos. E embora eu já esteja com 70 anos, minha memória continua boa e Dora Lygia está presente nas minhas mais ternas lembranças!
Beijo
Tia Dulcy


 > Em 23/02/2012, Odiméia deixou mais um depoimento.

A emoção é sempre muito forte cada vez que leio algum depoimento.... Me faz lembrar seu perfume, seu tom de voz, sua alegria, dedicação e amor a todos...(chorei mais uma vez)

Odiméia

> Em 27/04/2012, a Tia Inês me mandou esse depoimento via facebook.
Ly, hoje eu lembrei de como ela gostava do por do sol. Pelo menos um dia da semana no verão nos íamos no Toriba ver o por do sol que realmente era lindo. Vocês iam também. Foi numa dessas vezes que eu prendi seu dedinho na porta do carro (fusca) lembra?
Maria Inês Cersósimo
  > Em 30/04/2012, a ex aluna de Dora Lygia, Cidinha Aureliano deixou esse depoimento lindo.
Amigos...
Quando eu estudava na quinta série da escola, lembro-me de uma professora muito legal, a qual marcou muito minha vida, me passava uma segurança muito grande como ser humano, eu achava até que ela me queria como filha, então jamais a esqueci. Ela era linda, muito bem vestida e maquiada quando chegava chamava a atenção por sua beleza e também pela bondade. Há poucos dias encontrei sua filha e ao vê-la senti vontade de contar o que sentia sobre sua mãe. Hoje com mais experiência de vida,posso contar a grande importância que essa professora teve em minha vida naquela época, pois por causa de eu ter perdido minha mãe com um ano e meio necessitava de muito amor e carinho. A querida de quem me refiro é a professora Dora Lygia Richieri, uma pessoa que passou pela terra somente para fazer o bem e que Deus levou para ter para sempre ao lado Dele. beijos a todos, Cidinha Aureliano.


> Em 14/8/2012 a ex-aluna de Dora Lygia, Margareth Pina me entregou em mãos o seu depoimento. Aqui está ele na íntegra: Eu o chamei por conta própria de "TEOREMA"

“Minha professora de matemática Dora Lygia ou simplesmente Dora”.

Eu me lembro perfeitamente do dia em que ela entrou pela primeira vez na sala de aula. Morena, magra, pernas bem feitas, cabelo e maquiagem impecáveis. As roupas sempre combinando, pois ela gostava de cores. A saia justa na cor azul turquesa, o comprimento na altura no joelho como convinha na época. Usava um suéter de lã amarelo, sapatos de salto alto. Elegantíssima, sempre com colares, brincos, anéis, pulseiras, tudo combinando. Ela parecia um arco-íris. Ela gostava de brincar com as cores; parecia um “pintor”, criando seu próprio estilo. Durante o ano inteiro, não repetia uma roupa sequer, o que nos fazia imaginar com qual cor de roupas ela viria e nos encantaria no dia seguinte. Só me lembro da professora Dora repetir um suéter nas festas da escola. Coincidência ou não, não sei. Quando todos os outros professores colocavam suas roupas de gala, ela repetia. O que me chamou a atenção. A nossa professora Dora era exigente e tinha um bom timbre de voz, o qual exercia muito bem durante a aula. Quando ela terminava um teorema, ao invés de apresentar o conhecido “CQD” (Conforme Queremos Demonstrar), ela terminava dizendo “Conforme Dora Quer” e ponto final.
Aos sábados, na última aula, que por sinal era em minha classe, ela pedia que procurássemos no jornal assuntos referentes a óvnis, coisas do sobrenatural e nós levávamos e em sala discutíamos, debatíamos e ela participava com o entusiasmo de uma criança com um brinquedo novo. Essas aulas especiais eram uma alegria. Mas a professora Dora não foi só referência na elegância e no ensinar, mas na atitude, pois ela mesmo sendo talhada para o matrimônio e para a maternidade, mesmo sendo casada com um homem bem sucedido, foi trabalhar, foi ser professora e nos ensinou que a mulher podia sim querer mais da vida. Um exemplo para a época.
Quando Campos do Jordão participou do programa cidade contra cidade do Silvio Santos, a professora Dora participou com muita dedicação na organização da nossa comitiva Jordanense. Dedicada como ela só, ela nos levava à sua casa e nos ensinava a nos maquiar, a andar e ter elegância e nos preparava para vários eventos. E nós considerávamos isso uma honra, por que tudo o que queríamos era ser parecidas com ela e ter o seu bom gosto e elegância.
Para a nossa surpresa, quando a professora Dora teve seu último bebê, ela não voltou a dar aulas. E assim, todos soubemos que ela estava doente e rezamos por ela e nos preocupamos, mas tínhamos certeza de que ela ficaria bem e logo voltaria para nós. Mas, para o nosso pesar, a professora Dora tão amada e tão querida faleceu. E a tristeza tomou conta de todos. Era impossível acreditar que uma pessoa tão alegre e cheia de vida tinha ido embora.
Todos nós fomos até o kilometro 200 da estrada que chegava a Campos para esperar pelo corpo e depois fomos todos para o velório na Santa Casa. E para o nosso espanto, lá estava ela linda, maquiada, com as unhas pintadas, elegante como sempre fora. Esta cena marcou a minha adolescência, pois até na morte, ela imprimiu a sua personalidade única. Foi extraordinário. Alguns dos seus amigos íntimos diziam que ela não queria que seus alunos a vissem feia. Até na morte ela se preocupou conosco.
Hoje eu, com 61 anos de idade; tenho vários grandes amigos, parentes e personalidades de nossa cidade que partiram, mas não consigo me lembrar de tamanha comoção como no velório, cortejo e enterro da nossa professora Dora Lygia. Todos os alunos e professores da nossa escola, perfilados acompanhando e levando o seu caixão por mais ou menos 10 km a pé. Os alunos que faziam parte da fanfarra, iam à frente em seus trajes de gala, abrindo o cortejo e nós uniformizados e impecáveis como ela havia sido, seguíamos calados. No meio do caminho começou a chover, mas nenhum aluno, nenhuma pessoa de nossa cidade (pois estava presente simplesmente a cidade inteira) a abandonou para se proteger da chuva. Seguíamos sem nos importar com nada. Ao chegarmos ao cemitério, a chuva já havia passado e os meninos da fanfarra tocaram o toque do silêncio. Foi uma emoção arrasadora. Todos choravam. E lá ficou nossa professora Dora Lygia, jovem, bonita, alegra, bem sucedida, amada por sua família, seus alunos e seus amigos, mostrando outra grande lição pra nós adolescentes, que a vida é efêmera e que a morte não racionaliza. E que quando Deus determina que a nossa missão esteja cumprida, nós partiremos independentemente de tudo aquilo que desejamos. A professora Dora Lygia partiu, mas estará sempre em nossas vidas e corações. Ela foi e sempre será uma referência à minha geração.
SAUDADES.
Margareth Pina


>Em 22/04/2012, durante as filmagens para o Documentário "CAMPOS DO JORDÃO HISTÓRIAS DE VIDAS NA MONTANHA MAGNÍFICA", eu filmei o depoimento das amigas, Leninha e Leila, da ex aluna Oriete Elias e da minha Tia Inês (cunhada de Dora Lygia). Esse depoimento foi editado no Documentário. Aqui está ele na íntegra.


>Em 25/08/2012 o amigo Edmundo Rocha me encaminhou esse email:

Lygia, é simples, mas veja o que o Dr. Marcos Siegel encaminhou falando sobre lembranças de sua filha Christina.
Saudações e Abraços,
Edmundo Ferreira da Rocha
Campos do Jordão - SP.
 

A Christina foi aluna por algum tempo da Dora Lygia. As lembranças: a beleza e postura que a Dora Lygia sempre manteve. As aulas eram perfeitas e claras e até hoje a Christina se lembra de coisas que aprendeu com ela, não a esquece nunca.
Abraço Marcos W. Siegel.


>Em 15/08/2012 a querida Tia Inês, cunhada de Dora Lygia, me enviou esse maravilhoso e emocionante e-mail:

Lyginha.
Eu sei que você deve estar estranhando até agora eu não ter feito um depoimento da querida Dora. Está sendo bem difícil para mim fazer isso, você me entende não é?
(sic)Puxa La vida, quando eu tinha arrumado a melhor amiga da minha vida, tudo aconteceu. Acho que nasci para ter muitas perdas dolorosas. Como eu sempre falava, ela era minha "melhor cunhada". Realmente o tempo que eu convivi com a Dora, foram os anos mais proveitosos de minha vida e foi a época em que mais cresci como pessoa também. Ela me ensinou várias coisas, como por exemplo: viver todos os dias como se fosse o último e pode ter certeza, ela fazia isso. Lembro-me que quando ela me conheceu, fez tanta festa e eu me senti linda. Ela sempre dizia que o Tio Gui soube escolher bem a namorada. Eu sim é que fiquei apaixonada por ela, sempre muito alegre, e também achava ela muito chique e meu sonho era ser tão elegante quanto ela. Eu passei um ano convivendo quase todos os dias com ela, conversávamos muito e eu admirava muito. Como ela era e como ela pensava. Em tudo ela vivia intensamente. Meu noivado, meu casamento foram um grande acontecimento por conta dela. Falava muito, sorria muito tudo com muita naturalidade, as vezes chorava também de felicidade pelos acontecimentos. Me acolheu na família de braços abertos, e viramos amigas confidentes. Eu assisti o Parto da Beia, foi incrível, ela e o Dr. Samuel, conversaram o tempo todo, contavam piadas e coisas engraçadas, e eu estava apavorada, achando que o parto era uma experiência terrível  para nós mulheres, (até então eu só conhecia parto em cenas de novela).
Isso foi no tempo do Festival da Música da Record, Ela, o Dr. Samuel e o Dr. Franklin estavam torcendo pela música do Caetano Veloso, ela adorava a música, achava um poema, e foi o grande assunto do parto, mas....aí eu desmaiei e não vi mais nada......  Ela gostava muito de cuidar de bebês. Nunca  a escutei  reclamar por dormir pouco, e amamentar era uma grande felicidade para ela, assim como os outros encargos de uma mãe de recém nascido. Parecia uma tarefa muito simples para ela.
Ela tinha muita certeza e convicção que vocês todos eram muito inteligentes. Quando eu ainda namorava com o Tio Gui, ia todos os fins de semana de Santos para Campos do Jordão e ela sempre arrumava um programa bem divertido para fazermos. Ela sempre me contava com muito bom humor todas as traquinagens e dos momentos engraçados de vocês quando crianças. Quando eu e o Tio Gui anunciamos nosso noivado, ela transformou este acontecimento num momento mágico. Já falei  de quanto ela curtiu meu meu casamento. Me recordo também, de que quando voltei de Lua-de-mel, ela preparou uma feijoada de boas vindas, que durou um dia inteiro, e fez um dueto de violão com o Cezário.
Foi um dia inesquecível para nós todos. Isso foi já na casa nova, que ela aproveitava com muita alegria. A casa ficou linda, todos os cantos tinham a cara dela, havia uma parede vermelha, isto era arrojado para a época , assim como ela era. Eu era mais nova e admirava muito este dom que ela tinha, de estar sempre a frente do seu tempo. Uma certa ocasião , aprendi uma grande lição com ela: O Tio Gui, não gostava que eu usasse roupas curtas, ou que chamassem a atenção, e isto era uma tendência de moda na época, a Dora sempre me defendia e dava muita bronca nele.
Ela adorava o Tio Gui e falava sempre que ele era o Melhor irmão do mundo, mas era muito chato.....
Me senti a melhor mulher do mundo quando a Dora me apresentou para as  suas amigas como a mulher mais linda e de como ele (o Gui), tinha bom gosto, e ela valorizava muito a escolha do irmão.
Quando havia algum assunto engraçado, ela contava para todos e com o seu bom humor característico, melhorava a história e fazia com que ficasse mais engraçado ainda. Tem outra passagem que vale ser lembrada: Quando íamos a usina de leite, era um grande acontecimento,  ela ia com o fusca e com todas as 4 crianças dentro. Morangos com Chantily eram a sobremesa favorita dela e gostava sempre de ressaltar que era a combinação perfeita.
Nós ficamos grávidas na mesma época, eu do meu 1º filho (Zuco) e ela do 5º (Beto). Ela ficou muito feliz com a notícia, e assim que soube, foi fazer um sapatinho de Tricô. Ela gostava muito de Tricotar e uma vez fez um pulôver muito bonito para o Cezário e ficou tão orgulhosa do trabalho que contou para todos a noticia com muita alegria. Nós tivemos filhos com diferença de um mês, e nesta época nos falávamos muito por telefone pois eu já morava em São Paulo. Após descobrir que ela estava doente, ela passou muito tempo em São Paulo, comigo lutando contra a doença.
A partir deste momento prefiro não relatar mais nada e deixar estas lembranças de uma de minhas melhores e mais importantes pessoas que apareceram na minha vida. Ela é um livro lindo que nunca fecha, tudo é lindo, agradável , alegre, chique e moderno, e é assim que sempre vou me lembrar dela. Sem falar nos filhos e netos, enfim na família maravilhosa que ela criou, e tenho certeza que aonde ela estiver sempre conduziu todos para o bem.
Beijos TIA INÊS


>Em 24/09/2012 o Tio Gui me repassou o email que a querida prima Scylla de são Paulo, lhe enviou quando recebeu o link para acessar esse blog.

Querido Gui
Que emoção foi falar com você e depois ler esse e-mail, foi um filme pessoal que passou pela minha cabeça, desde os nossos tempos de criança, naquela casa suspensa, o riozinho passando no fundo da casa, minha madrinha fazendo os doces no fogão de lenha, brigando com você que era enjoado para comer, seu pai desembaçando o vidro da janela para vermos o quintal branquinho de geada  e a minha ídola, morena, linda, com aquele jeitinho de falar, meio rouco. Me lembro da menina um pouco mais velha que eu, da adolescente que sua mãe se esmerava em deixá-la uma princesa, e depois a mãe de 5 filhos que demonstrou que sua vaidade era  pura ilusão, pois a maternidade só lhe acrescentou. E depois novamente a vi, de branco, gloriosa, cuidando de muitas e muitas crianças fraquinhas, mas de olhos brilhantes, esperançosas de receberem uma palavra, um olhar, desse espírito que aceitou cumprir com amor sua tarefa.
Que privilegiados somos por tantas riquezas familiares, obrigada por tanto exemplo de amor que você dá. Beijos para vocês todos.
Prima Scylla 


>Em 10/10/2012 a querida prima Scylla de são Paulo, me enviou esse maravilhoso e emocionante email:


Cara Lyginha Seu avô Gildo dizia que eu não era parente, mas sim transparente, de tão magrinha, portanto: Você ainda lembra desta transparente?
Eu sempre tive notícias de vocês através do Gui e da Tia Tilde e agora ele passou e-mail onde mostra você resgatando lembranças através de depoimentos de pessoas que conviveram, ou participaram em algum momento dos 30 anos da Dora. Achei emocionante e maravilhosa sua idéia.
Minha lembrança primeira da Família Cersósimo:

duas pimentas: - Lydia e Dora Lygia. E dois doces: - Gildo e Gui, resultando um delicioso agridoce.
Seu  Tio Guilherme é meu norte com relação à família, além de ter sido um filho maravilhoso, nunca esqueceu dos tios e primos. Um irmão que amou e sofreu muito, e mesmo nas derradeiras horas, não acreditava que a partida era iminente. Creio termos passado juntos ao leito da Dora a última noite e até agora é difícil dizer como ele aguentou. Tudo é tão vivo que nem parece que mais de 4 décadas se passaram.Vivas também são as lembranças das minhas férias na infância, na adolescência e depois na fase adulta já na casa da Dora e do Cezário. Em todos os depoimentos desse blog, há uma parte do que foi minha convivência com a Dora. Meu ídolo, minha musa, eu era o patinho feio e ela me transformava em princesa, fazendo maquiagens e me emprestando aquelas malhas maravilhosas. São milhares de recordações, desde a menina líder, voluntariosa na casa da Vila Jaguaribe, onde o Vô Gildo tentava controlar as nossas traquinagens; da jovem linda, sempre produzida; da lista de piadas catalogada por assunto. Ela não tinha sono e ficava contando piadas e outras coisas, mas não deixava eu rir para não acordar sua vó Lydia. Depois casada, sempre aos beijos com o Cezário. Quando saiam à noite, ela toda princesa e ele esporte com as botas do trabalho, mas nunca a vi pedindo para mudar algo e ele sempre com o olhar deslumbrado.
Lembro quando o Leme quebrou a perninha, fomos ao hospital e o Cezário desmaiou e ela firme segurando o menino para ser engessado. Tenho fotos desde nossa infância até de vocês na antiga e na nova casa, de passeios onde estamos inclusive com a Tia Tilde. Lembro-me que quando a Dulcy estava grávida e o nenê se mexia, ela tinha aflição e ia se deitar. A Dora gargalhava.
Lembro-me dela amamentando o Beto ajoelhada, pois já tinha muita dor. Daí veio para SP fazer exames, e na casa da Tia Scylla e do Tio Hélio durante um jantar, teorizamos como melhor apagar o cigarro para não deixar cheiro, mostrando que embora com sério problema de saúde, ela mantinha o seu astral positivo.
Não sei no que ela se destacava mais. Como mulher de beleza invejável; se como professora; se como amiga; se como líder; se como anfitriã; se como forte na doença, pois numa das visitas ao hospital, eu a ouvi pedindo ao Cezário  para ligar para um amigo que estava doente, para dar uma força. Lembro-me também no hospital de eu ter dito que ela havia feito o pé e a mão e o quanto ela gostou que eu tivesse reparado. Mas com certeza (e nisso não tem um sequer "se") ela certamente nasceu para ser MÃE, trazer 5 espíritos maravilhosos, vitoriosos, que foram gerados com muito amor e criados com todo carinho, além de estarem, como ela, sempre na moda. Foram adorados até o ultimo momento terreno e guiados quando já no plano espiritual. Embora Vocês fossem muito pequenos, creio que puderam sentir algo maior os envolvendo sempre. Ela foi e é minha prima muito querida, a quem me sinto devedora, pois apesar de ter voltado algumas vezes a Campos para alguns aniversários de vocês, me afastei pelas novas circunstâncias, porém deveria manter contato, mesmo que a distância. Desculpe citar fatos de forma desordenada, inclusive alguns  tristes, mas lá também a grandeza dessa vida curta, está presente. Muitos beijos a você, Leme, Lica, Béia, Beto e sobrinhos.

Prima Scylla


> Em 10/10/2012 eu respondi ao e-mail da prima Scylla.

Querida prima Scylla.
Em meio a lágrimas, te respondo agradecendo por seu maravilhoso depoimento e já avisando que o estarei postando na "GRANDE PÁGINA DE DORA LYGIA" imediatamente.
Uma vez você entregou uma carta psicografada da minha mãe. Essa carta ficou guardada com alguém por muitos anos, mas adolescentes que éramos, não tínhamos o entendimento e o alcance para saber da importância de tal coisa. E depois, jovens universitárias começando e descobrindo a vida fora de Campos, não tínhamos tempo de pensar em tais coisas. Quando me dei por mim e virei adulta, sem mãe e sem pai, é que caí em mim da importância de resgatar tudo isso. Nesse meio tempo, a carta sumiu, ninguém sabe com quem está. Por favor, me diga que tem uma cópia dela com você. Gostaria muito de tê-la novamente em mãos.  Vamos manter contato, pois você é muito querida para nós. Espero sua resposta em breve.
Milhões de beijos, querida.
Lygia

> No mesmo dia, 10/10/2012 a prima Scylla respondeu ao meu pedido sobre a carta psicografada com uma mensagem linda da minha mãe.

Lyginha, Só os anjos poderão explicar como achei a mensagem que transmitirei abaixo, pois estava num armário improvável e fui direto lá !!!
Tenho quase certeza que existe outra posterior a essa, onde ela diz que está trabalhando como enfermeira,  com crianças doentes. Se conseguir achá-la, repasso para você imediatamente, combinado?
Prima Scylla

Aqui está a mensagem da sua mãe.

06/09/1980

Sei que constantemente indagas como estou. Achas que o tempo passou e que eu por certo pelos meus padecimentos físicos, tenha resgatado todas as minhas falhas.
Engano teu, pois eram muitas e muitas e aquelas dores físicas apenas ajudaram-me a compreender que tinha levado um mundo de vaidades e com a deformação de meu corpo e paralisia é que verifiquei quão pouco fiz em meus 30 anos de existência terrena.
É bem verdade que minha missão de mãe a cumpri, pois a mim estavam destinados 5 espíritos, os quais gerei e deixei aos cuidados de outros para que os educassem, pois a minha parte na tarefa era quase praticamente aquela.
Hoje vejo-os bem, bonitos e inteligentes como sempre.
Com o auxílio daqueles que nesses anos todos tem permanecido ao meu lado para esclarecer-me, tenho buscado ajudá-los para que se tornem crianças e moços bem formados. Sei que meus pais estão carentes de saúde, a caminhada deles tem sido longa, dolorosa, porém bonita.
Querida, sei que me quer muito bem, irmãs éramos em nossa infância e irmãs mais ainda o somos agora, principalmente quando a vejo tão perto da fé, buscando em nosso Pai Celestial o apoio e ajuda em tuas ações. Não esmoreças, a tarefa é realmente difícil, como é difícil o encontro neste plano onde enxergamos as coisas com tanta clareza que mil olhos terrenos não poderiam ver.
Continue orando por mim e por meus pequeninos. Todos nós muito necessitamos.
Sempre que possível tentaremos ajudá-la. Continue firme em teus propósitos. Que Jesus fique com todos nós.
Tua prima muito querida
Dora Lygia
 


> Em 06/05/2014, recebi um email de Daniela, filha de Ivonady que trabalhou com Dora Lygia. Aqui está o depoimento maravilhoso dela:
 Me chamo Ivonady, nasci e vivi em Campos do Jordão até meus 22 anos casei e vim morar em São José dos Campos. Tenho três filhas: Daniela, Fabiana e Karen. O motivo de estar te escrevendo é porque procurando foto de minha formatura da 8ª série e relembrar meus professores do CENE quando vi fotos da Dora Lygia, quis saber como os filhos dela estavam. Me emocionei ao ver o Luiz Guilherme piloto, a Marília arquiteta e você com lojas aí em Campos querendo depoimentos sobre sua mãe. Lembrei quando cuidava de vocês e lavava os cabelos da Marília com sabonete Lux eles ficavam ainda mais loiros, o Guilherme muito inteligente e você corrigia quando alguém falava errado, mais era de propósito. Minha professora de matemática indo à casa de sua avó Lídia onde eu estava trabalhando. Gente maravilhosa: o Sr. Hermenegildo e seu tio Guilherme me tratavam como eu fosse da família. Eu estudava e trabalhava. Sua mãe pediu para eu ir trabalhar na casa dela e sua avó deixou foi assim que eu fui para sua casa no bairro Fracalanza. Sua avó cozinhava maravilhosamente bem, não esqueço do macarrão com brócolis e torradinha com azeite uma delícia. Ela cuidava do Sr. Hermenegildo com muito carinho. Conheci o Sr. Cesário quando comecei trabalhar em sua casa, ele era muito sério mais amoroso com os filhos e apaixonado pela sua mãe. Eles viviam aos beijos. Nós nos tornamos grandes amigas e nem parecíamos empregada e patroa. Ela parecia mais uma irmã mais velha. Nesta época eu estava com 14 ou 15 anos e fazer o serviço da casa e cuidar de vocês era muito bom. Eu morava em sua casa e dormia no closet da sua mãe e vocês no quarto dela. A Dora era muito atenciosa comigo me ensinava matemática nos dias de prova. Eu ia e voltava do colégio com ela. O mar, eu conheci quando fui com ela para Santos e São Vicente. Muitas vezes ficava com o Guilherme no banheiro com o chuveiro ligado, pois ele tinha bronquite e só assim aliviava a respiração dele. A Marília só queria comer arroz, a caçula na época era você um doce de menina. Vocês são frutos de um amor intenso e verdadeiro de seus pais, eles se amavam muito. Seu pai sempre calado, sua mãe muito elegante não repetia roupas, os alunos ficavam esperando ela chegar para ver como ela viria para o colégio, sempre linda. Eu gostava de fazer surpresa para ela. Como ela gostava de pão de ló com creme, eu fazia e escondia para comer só depois do almoço, mas ela achava e comia mesmo assim. Nesta época seus pais já estavam construindo a casa nova, uma rua abaixo do colégio CENE. Fui ver a construção mais não cheguei ver a casa pronta. Éramos amigas mesmo, colocava vocês para dormir e nós ficávamos embaixo do mesmo cobertor assistindo filme, esse tempo ficou guardado na minha memória. Sua avó, inspetora de alunos, eu convivia com mãe e filha todo tempo. Em casa quando sua mãe não estava corrigindo prova, estava tocando violão e cantando músicas italianas ou MPB. Sua avó já gostava de músicas portuguesas (os fados). Esse pouco tempo que convivi com vocês foram intensos. Fui trabalhar em outro lugar, mas sua avó levava você no colégio para eu vê-la. Você tinha aprendido a cantar a música do Roberto Carlos “e que tudo mais vá para o inferno...” era a coisa mais linda, com apenas dois aninhos. Lembro também quando fiquei de segunda época em ciências, sua mãe tomando conta da sala, e quando a professora Wanda saiu da sala, sua mãe passou cola para eu não repetir o ano. O conselho que ela me dava é que eu nunca parasse de estudar. O tempo foi passando eu soube que sua mãe estava grávida soube depois que era uma menina chamada Beatriz. Na minha formatura foi sua mãe que me entregou o diploma, por isso que eu queria uma foto como lembrança. Depois soube que iria ter outro filho, só que, o mais triste foi que ela não saiu da Santa Casa, soube que era um menino chamado Roberto. Todos falavam que sentia dores fortes na coluna, a causa de não ter saído do hospital. Todos torciam pela saúde dela. Ficou internada um bom tempo, até que veio a notícia de seu falecimento, fiquei arrasada, mais sempre em mente que era à vontade de Deus. Para vocês os grilos da adolescência tiveram que Dona Lídia cuidar. Campos do Jordão parou com a morte de Dora Lygia, uma professora querida, inteligente, boa, conceituada, foi uma perda principalmente para aqueles que conviveram com ela de perto. Quando a vi no caixão não acreditei, queria que não fosse verdade. Filas enormes se formavam para dar o último adeus a uma pessoa que deixou um legado: exemplo de ótima esposa, ótima mãe, ótima professora. É fácil lembrar dela, pois foi uma pessoa doce, que deixou marcas. Nome de escolas, de ruas, é o mínimo que uma cidade podia fazer para Dora Lygia que deu tanto para o ensino da cidade. Fiquei emocionada ao ver a foto de vocês de esquimós, nessa época eu trabalhava ainda na casa de vocês. Foi muito triste ver a foto de vocês maiores com o Roberto no colo do Guilherme, seu pai com vocês, cinco sem sua mãe. Mais emocionada ao ver vocês adultos. A casa de sua avó era realmente do jeito que vocês falaram. Naquela banheira eu também tomei banho. Os cômodos da casa me lembram muito bem. A casa era rodeada de vegetação, e nos fundos do quintal passava um rio. Uma casa gostosa como casa de avó mesmo. Tenho muitas saudades da Dora Lygia, do Sr. Cesário, de vocês, de seus avós e seu tio Guilherme. Eu também faço parte dessa história. Beijos à todos vocês.
 Ivonady
Ivonady, será que eu achei uma foto sua?

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ESTAMOS ESPERANDO MAIS DEPOIMENTOS
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Quando o universo conspira a favor, nada pode interferir. 
Coisas mais do que maravilhosas tem acontecido ultimamente e eu tenho que compartilhar com todos, já que tudo começou com este blog (acho eu). De acordo com os recentes acontecimentos, "pessoas especiais" leram esta página do meu humilde blog, e acharam que todas essas informações contidas nela tinham relevância. Assim depois de contatos, emails, conversas e etc, surgiu a ideia de um documentário sobre Campos do Jordão e dentro dele, uma homenagem a Dora Lygia. Recebi essa notícia de uma grande amiga que está atualmente morando em Ubatuba. Fabiana Padula Santiago da Costa. Ela e o Diretor Dimas de Oliveira Junior decidiram, após a realização de um documentário fantástico sobre a cidade de Ubatuba, embarcar para mais uma aventura fantástica que é contar a história de Campos do Jordão, seus moradores e por que não também a história de Dora Lygia? Qual não foi a minha surpresa, espanto, admiração, assombro, pasmo (e sei lá quantos substantivos mais eu poderia colocar aqui), quando a Fabi me veio com essa notícia. Um sonho sendo realizado. Isso é só a pontinha desse Iceberg de emoções e acontecimentos. Por isso, de agora em diante essa estória vai ser contada em outra página deste mesmo blog. Ela vai se chamar Campos do Jordão Histórias de Vidas na Montanha Magnífica. Lá eu colocarei todos os detalhes desta empreitada que também abracei com todo o meu coração.
Bem...  algum tempo depois que o documentário foi se concretizando, recebi mais um presente. O diretor Dimas se apaixonou por Dora Lygia e por sua história e está escrevendo o roteiro para um filme longa metragem a ser rodado aqui em Campos que contará a história de amor entre Dora Lygia e Cezário. O nome será "Amor Na Serra".

Homenagem do Diretor Dimas a Dora Lygia e Cezário


Existem alguns estágios no aprendendizado de algo novo.
Eu? Eu confesso que ainda estou na fase de assimilação e aceitação disso que acabei de receber de presente. Estou simplesmente encantada e maravilhada com essa nova perspectiva e sinceramente entrando na fase de orações para que tudo de certo e que pessoas especiais se interessem em patrocinar esse filme que tenho certeza, só vai engrandecer a memória da minha cidade querida.


Nasci e vivi a maior parte da minha vida aqui em Campos do Jordão. Quero o melhor para a cidade em todos os sentidos e, a produção de um filme aqui, com parte do elenco sendo de pessoas locais, com oficinas de cinema a serem ministradas, formação dos atores, sem falar na divulgação da cidade mundo afora e a abertura de inúmeras possibilidades para essa cidade forjar sua personalidade como a cidade do esporte, da saúde, do cinema? por que não? ...

Campos do Jordão tem inúmeras possibilidades de engrandecer sua vocação turística. Mas queremos um turismo do bem, que engrandece, que constrói, que agrega, que edifica. Obrigada a todos os envolvidos. ♥




Estou iniciando neste momento, mais uma página neste blog para contar passo a passo essa nova aventura. Se chamará é claro Amor na Serra. Acompanhem o desenrolar dos acontecimentos lá. 

Este espaço fica no entanto reservado para que venham mais e mais depoimentos sobre Dora Lygia.

8 comentários:

  1. Que idéia maravilhosa Lygia, que coragem! Força e luz para vcs todos! beijos daqui!
    Marina Deluqui, aluna do Luis Guilherme na VARIG.

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    1. Valeu Marina. Que bom que você também gostou. Vamos continuar a colar todos os pedacinhos até a foto ficar completa, se é que isso é possível. Beijos carinhosos.
      Lygia

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  2. Lyginha é emocionante ler esses depoimentos, relembrar lugares e principalmente, matar as saudades através dessas fotografias da nossa tão linda, tão querida, elegante e marcante mulher, Dora Lygia, nossa querida professora de Matemática !!

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  3. Oi Ligia desculpe fui completar meu comentario e sem querer removi.Me desculpe eu ia dizer que passo por aqui e fico olhando essas fotos e isso é muito bom.Aquela foto sua e da Lica o rosto dela é tão proximo das minhas lembranças que não me dou conta de tantos anos passados.E a foto do casamento é linda o Tio Cezario tão mocinho, o vestido de noiva um arraso.Continua postando porque é muito gostoso passar por aqui.mais uma vez desculpe.Beijooos LU

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  4. Não canso de passar por aqui.Adoro ler todos esses depoimentos, e sabe que me lembrei dessa historia da passagem do cometa, que barato, aos poucos as coisas surgem na cabeça e é muito bom.Beijooos \lu

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  5. Oi... Passei (parei) aki! Ufa! Q lindo! Q emocionante! Sabe... Vcs todos se parecem com ela!!! Bom trabalho... Se cuida!!!

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  6. Odiméia Marta Guimarães de Oliveira11 de outubro de 2012 21:05

    Existe uma força maior conduzindo e inspirando as pessoas. O resgate da memória da sua mãe, os Documentários, os depoimentos das pessoas que vieram para Campos do Jordão a procura da Cura da Tuberculose e agora o filme "Amor na Serra"...
    Essa força vem da Querida DORA LYGIA... e você Lygia, foi escolhida para iniciar tudo isso!!!
    Um grande abraço e obrigada!!!!!

    Odiméia Marta

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    1. Querida Odiméia, eu também acho que estamos tendo (como você mesma falou uma vez)"INTERFERÊNCIAS HUMANAS E INTERFERÊNCIAS DIVINAS". Beijos. Lygia

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