sábado, 24 de setembro de 2011

As sem-razões do amor

Eu te amo por que te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo por que te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado ao vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo por que não amo
bastante ou demais a mim .
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
  
Carlos Drummond de Andrade

Paulo Leminski

Eu hoje acordei mais cedo
E, azul, tive uma idéia clara.
Só existe um segredo.
Tudo está na cara.

Paulo Leminski

O Outro


Como decifrar pictogramas de há dez mil anos
se não sei decifrar
minha escrita interior?

Interrogo signos dúbios
e suas variações calidoscópicas
a cada segundo de observação.

A verdade essencial
é o desconhecido que me habita

e a cada manhã me dá um soco.

Carlos Drummond de Andrade

Por Você

Nos dias cinzentos de novembro, vou fazer verão
E inventarei novas palavras para alternar o seu silêncio.
Vou mudar minha vida, para entrar no ritmo da sua
Para que possamos encontrar o ponto de equilíbrio
dos nossos sentimentos.
Vou procurar nos meus sonhos, o caminho para os seus
para aprender à respeito da inquietude entre nós
E depois arrancarei das minhas mãos,
as palavras que nunca ousei dizer,
Para cancelar todas as suas dúvidas
E todos os seus medos.
Farei o impossível por você.
Seremos indivisíveis, extremos, indispensáveis.

Por você,
Farei mais que ontem
Farei de nós o meu amanhã
Talvez para nunca mais morrer.

Por você,
Vou parar o tempo,
 para ficar um pouco na eternidade
Por aqueles momentos que passam rápido...

Ricardo Coccianti

Primavera


Cuidarei do seu corpo como se fosse terra

Apagarei aqueles sinais da sua última guerra

e queimarei com fogo este seu mato ruim

e com água vou te fazer mais fértil que viva

vou pedir para o sol que enxugue suas lágrimas

vou pedir para o tempo que cuide das suas feridas

depois vou construir uma serra ao redor do seu sorriso

vou fazer da sua vida um outro paraíso

serei o seu jardineiro e você será a minha terra

combaterei contra o vento para que não te carregue

depois vou espalhar meu sêmen no seu vale verde

e juntos vamos esperar a primavera

Ricardo Coccianti

Ferreira Gullar

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é o silencio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo
Seja para sempre amada
Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
Nem repetidas com fervor

Apenas respeitadas
Como a única coisa
Que resta a um homem
Inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que eu ouço
Mas a outra metade é o que eu calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma
E na paz que eu mereço

E que essa tensão
Que me corroe por dentro
Seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que eu penso
Mas a outra metade é um vulcão

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável

Que o espelho reflita
Em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro de ter dado na infância

Porque metade de mim
É a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei

Que não seja preciso
Mais do que uma simples alegria
Para me fazer aquietar o espírito

E que o teu silêncio
Me fale cada vez mais

Por que metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba

E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade
Para fazê-la florescer

Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção

E que a minha loucura
Seja perdoada

Porque metade de mim é amor
E a outra metade também


Ferreira Gullar

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Diva

Coloque sua maquiagem e um sorriso no rosto. Levante a cabeça e seja forte porque o mundo não precisa saber que você passou a noite chorando.
Marilyn Monroe


Meu "lavabo dos sonhos"

Certa vez durante a construção da minha casa, eu fiz uma viagem para fora do país. E adquiri um border para parede com tema de gatos (poderiam ter sido cachorros, sei lá, mas nesta viagem eu achei esses gatos super charmosos, gordos e preguiçosos). Achei lindo e comprei. Meu marido é veterinário e eu achei o tema de animais interessante para aproveitar na decoração da casa.  Depois, achei um jogo de cortinas com pedrarias penduradas. Era 2003 e essas coisas ainda eram novidade por aqui. Nessa hora, surgiu na minha mente a idéia da decoração do meu lavabo. Inteirinho. Guardei tudo por algum tempo e anos mais tarde, executei minha idéia nascida em Paris. Mais alguns anos se passaram e meu lavabo acabou saindo em uma revista de decoração, indicado pela minha irmã Marília Richieri que é arquiteta. Bem . . . ela pode ter indicado meu lavabo, mas se o pessoal da revista não tivesse gostado, eles não teriam publicado, não é? 
Aqui estão as fotos.















Tudo isso por causa dos gatos!



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Perfect timing Mr. Zuckerberg


Bolsa em Patchwork para guardar meu trabalho de Ponto Cruz

Olha só que interessante.
Não fui eu quem executou, mas o projeto é meu. Eu precisava de uma bolsa prática e legal para levar meus trabalhos de ponto cruz pra lá e pra cá. Não achava nada do meu agrado no mercado. Então eu idealizei essa bolsa/maleta aproveitando uns blocos em patchwork que eu mesma tinha feito quando fiz algumas poucas aulas na minha loja. Quem executou lindamente com perfeição esse projeto, foi o "seu João camiseiro" (apelido carinhoso).

Minha bolsa/maleta em patchwork.

Ela pode ser usada a tiracolo...

Ou carregada pelas pequenas alças.

Dois zíperes abrem-se ao longo das laterais da bolsa.

Completamente aberta. Ela tem compartimentos em diferentes tamanhos para guardar as linhas, tesourinha, agulhas, canetas etc.
As plaquetinhas com as linhas ficam arrumadinhas cada qual no seu quadradinho feito em plástico cristal.

Cada compartimento neste lado da bolsa é fechado por um zíper.

Em cada metade da bolsa, há um grande compartimento fechado por um zíper.


É grande o suficiente para levar as revistas, prancheta, bastidores, etc.

Na outra metade, outro compartimento fechado por um zíper.


Nesta parte levo meu bordado.

Tenho sempre à mão tudo o que eu preciso para bordar e estou com tudo sempre pronto para levar onde quer que eu vá.